Formando vidraceiros


Gilmar Horácio - Diretor da Lead Escola de Negócios

13/03/2019

Publicitário por formação e pós-graduado em Gestão de Negócios, Gilmar Horácio tem uma extensa jornada na área de treinamentos em seus 25 anos de carreira. Em 2014, percebendo uma carência de cursos de qualificação para instaladores de vidro, além da falta de conhecimento em vendas, marketing e gestão por parte de muitos empreendedores do segmento, decidiu investir na Lead Escola de Negócios, especializada, entre outros módulos, em cursos para vidraceiro. O resultado foi, em poucos anos, um crescimento contínuo na grade, que hoje conta com 14 cursos, e uma estrutura que teve que dobrar para atender à demanda. Hoje, a Lead Escola de Negócios já formou cerca de três mil alunos de norte a sul do País, que vêm a São Paulo em busca de conhecimento.

 

Como e por que surgiu a ideia de criar uma escola de cursos para profissionais?


Percebi que existe uma demanda grande por qualificação profissional e poucas escolas com uma proposta séria de ensino. O segmento vidreiro, de esquadrias alumínio e outras áreas relacionadas com a construção civil, sofrem com a falta de centros de treinamento qualificado. E isso impacta na forma como os serviços são prestados em nosso país, colocando toda uma categoria de profissionais para baixo, devido aos maus prestadores de serviço, aqueles que não buscam a qualificação.
 
Você já trabalha há muitos anos com consultorias e treinamento de equipes. A necessidade de uma maior qualificação de profissionais era algo que observava em sua atuação anterior?


Os trabalhos que faço com treinamentos e consultoria influenciaram a ideia de criar um centro de capacitação voltado para o mercado vidreiro. Logo no primeiro contato com o ramo, percebi a oportunidade, pois são muitos os vidraceiros no mercado que não encontram cursos específicos como os que nós oferecemos hoje. Os cursos básicos oferecidos por outras escolas não atende mais às necessidades de vidraceiros. Além desses cursos especializados, também confeccionamos um modelo de curso para quem quer entrar nesse mercado, como oportunidade de uma nova profissão.
 
Quando iniciou este projeto e quais as dificuldades que enfrentou no início até a escola se consolidar?


O projeto iniciou no segundo semestre de 2014, como um experimento, buscando levar conhecimento para o mercado. Era um experimento, pois inicialmente estavam previstas apenas cinco turmas. Porém, a demanda acabou mostrando que a necessidade era maior do que o previsto. As dificuldades se mostraram no apoio das empresas – que é escasso e na busca pelos profissionais – Professores. O mercado sofre muito com isso. Quando existem professores para o tema, o mesmo aprendeu fazendo, basicamente possuem muito conhecimento do tema, mas pouca ou nenhuma didática na transmissão do conteúdo. Isso nós resolvemos com um programa interno de formação de multiplicadores.
 
A escola começou com cursos para vidraceiros. Por que decidiu ampliar a oferta de cursos dentro da área da construção?


O mercado vidreiro está em expansão e segue sempre precisando de atualização. São muitos os produtos lançados anualmente para os vidraceiros. Não queremos abandonar esse mercado, mas também percebemos que não é mais possível ficar reduzido à ele. Além disso, cursos na área de construção civil abrem as possibilidades para diversas carreiras. Na nossa escola, um vidraceiro pode optar por fazer um curso de serralheria, por exemplo e vice-versa. Nosso intuito é colocar novos cursos em nossa grade ainda em 2019. Nosso planejamento está apontando um cenário positivo para que, até o segundo semestre, tenhamos cursos voltados para outros setores da construção civil.
 
Hoje a Lead também possui cursos nas áreas de vendas, atendimento, marketing e gestão. Como identificou essa necessidade?


 A Lead ministra cursos voltados para Gestão e Marketing para Vidraçarias e também atua com treinamentos para empresas do setor, como distribuidoras e têmperas. Muitos profissionais que chegavam na escola, conheciam muito de montagem, normas e outros pilares técnicos de sua profissão, mas não sabiam nada de vendas, orçamentação, como divulgar a empresa nesse mundo conectado web + mídias e principalmente gestão do negócio.
 
Dessa forma, foi um passo natural, pois sem promoção da empresa, orçamentos corretos, precificação, uma empresa não tem chance de dar certo hoje em dia. Porém, infelizmente, esse tipo de aprendizado ainda não é tão visado pelos instaladores. Muitos novos vidraceiros acabam adquirindo a prática e a teoria sobre instalação de vidros, mas esquecem que ter vidraçaria ou ser um vidraceiro autônomo exige planejamento, estratégia e bom atendimento, pois todos eles lidam com pessoas diariamente.
 
Quais são os cursos mais buscados?


Todos os nossos cursos têm procura, mas se tivermos que enumerar os mais visados eu aponto o de Envidraçamento de Sacada e o nosso Combo Básico para quem quer iniciar na carreira como vidraceiro. O Combo Básico consiste em três cursos. O primeiro, vidraceiro instalador que ensina o básico sobre a profissão e já possibilita a montagem de uma janela e box, o curso de Projetos, Medidas e folgas para vidro temperado, ampliando a área técnica e de pré-produção e, por fim, o curso de instalação de vidro temperado, que conta com aulas práticas para instalações essenciais do dia a dia do vidraceiro.
 
Qual evolução tem percebido na qualificação e profissionalismo dos vidraceiros?


Com a discussão sobre a norma do vidraceiro, percebemos que há uma preocupação dos próprios profissionais do mercado em relação à mão de obra qualificada. Muitos vidraceiros de carreira participam dos nossos cursos, procurando se atualizar com normas que sofreram alterações e para aprender a instalação de novos produtos e formas de aplicação de vidro. O bom profissional tem que se manter atualizado, pois é um trabalho prático, que exige segurança e qualidade.
 
Mas, se por um lado temos profissionais que percebem a necessidade de aprendizado, também há uma outra parcela que acredita que é possível aprender direto na obra ou de outra forma, sem a presença de um professor qualificado para ensinar o que é certo e o que é errado. A deficiência de capacitação existe no setor, assim como existe em outros, mas o trabalho é de formiguinha. Hoje, muitos profissionais de outras áreas estão interessados no mercado vidreiro e isso abre possibilidades para uma nova onda de instaladores capacitados para o setor.

 


Quais os desafios ainda estão sendo enfrentados?


Quebrar os paradigmas das empresas, que ainda não perceberam a necessidade de capacitar seus profissionais. Um exemplo grave: oferecemos o curso NR35 – Trabalho em Altura. Teve baixa procura, mas sabendo da importância da segurança, resolvi absorver esse custo e agora oferecemos gratuitamente na compra de 2 cursos, já ganha o de NR35.
 
Fale sobre a mudança da logomarca e nome da escola e da parceria com a Vidro Impresso.


Antigamente, atendíamos como Vidro Impresso Cursos, devido a sociedade que possuíamos com a revista. Embora tenhamos nos desmembrado da revista, a parceria continuou consolidada. Hoje, divulgamos o “Meu Vidraceiro”, plataforma desenvolvida pela revista, que propõe orçamentos para os vidraceiros, aumentando assim o canal de serviços para esses profissionais. A mudança de nome e de logotipo foi necessária, pois mesmo estando majoritariamente no ramo do vidro, a escola agora explora uma nova camada da construção civil, por isso não queríamos mais nos limitar apenas ao setor.
 
A escola investiu bastante em sua estrutura para a realização de aulas práticas.
Nos últimos dois anos, a expansão da escola foi significativa. Em termos de estrutura, nossas aulas passaram a acontecer em salas montadas especificamente para as práticas. Investimos em estrutura para os cursos, no que se refere a maquetes e ferramentas, sempre contando com o apoio dos nossos parceiros e colaboradores que acreditam em nossas ideias. Também mudamos o ambiente das salas teóricas, que contam com espaço para turmas de até 15 alunos, climatizadas, com todo material necessário.
 
O nosso diferencial é realmente termos um curso onde o aluno coloca a mão na massa. Para que isso fosse possível, tivemos que investir na questão da estrutura primordialmente. Apesar da teoria ser importante e fazer parte do dia a dia do vidraceiro, ter um material de qualidade e adequado, com orientação do professor, é de uma importância significativa para que eles saiam preparados para o mercado. Em nossa estrutura, o aluno pode errar, sabendo que terá o professor ao lado para ensinar a maneira certa de fazer. Na obra, não é assim que acontece. Por isso temos esse zelo pelas aulas práticas. Queremos que os nossos alunos tentem, errem e aprendam a forma correta para que na obra estejam completamente preparados.
 
Muitos alunos retornam para fazer outros cursos? Um mesmo aluno costuma realizar vários cursos ou fechar pacotes?


Temos diversos casos de alunos que voltam para fazer mais cursos com a gente. Essa é uma das partes mais gratificantes do nosso trabalho. Criamos um relacionamento com os nossos alunos durante o acontecimento das aulas. Tivemos muitos deles que retornaram, muitas vezes de longe, para participar das nossas turmas. Já recebemos alunos de diversos estados do Brasil, como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Bahia, Espírito Santo, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Paraná, enfim, praticamente de todos os estados. Até já recebemos um aluno de fora do Brasil, que veio do Paraguai para fazer o Combo Básico. Hoje, ele é vidraceiro em seu país, conseguiu abrir o seu próprio negócio.
 
Quais são os planos da Lead para este ano e a médio prazo? Pretendem expandir a grade de cursos ou realizar cursos em outras cidades?


Temos algumas surpresas para o segundo semestre de 2019. Estamos expandindo os cursos para outras áreas, como Instalação de Painel Fotovoltaico, Chaveiro, a ideia é oferecer cursos que se relacionem e permitam ao profissional agregar valor para o cliente e aumentar o seu faturamento. Temos também um projeto que visa a criação de outras unidades da Lead em outras regiões do Brasil. Ainda estamos estudando essa possibilidade e, em breve, teremos novidades sobre o assunto.
 
Vocês recebem muitos alunos de outros estados. Este é um reflexo da carência de cursos em outras regiões?


Quando começamos, não imaginávamos que teríamos essa adesão de alunos de fora de São Paulo. Mas hoje, pelo menos 60% dos nossos alunos não estão na capital Paulista. Claramente isso é um reflexo da falta de cursos tão específicos em outras localidades.
 
Você tem notícias de alunos que prosperaram em sua carreira depois dos cursos? Gostaria de destacar algum case de sucesso?


Além do Rafael, que veio do Paraguai e já citamos, temos o Luciano, que passou uma semana em nossa escola, aprendendo os três cursos do Combo Básico e voltou para sua cidade, em Borborema no interior de São Paulo, onde se planejou e abriu sua vidraçaria. Temos contato com ele até hoje e ele é atuante no setor. Segue trabalhando no ramo e expandindo seus horizontes. Também recebemos o Davi, aluno de Feira de Santana, na Bahia, que passou uma semana também aprendendo o Combo Básico. Ele é corretor de imóveis e viu em seu ramo a oportunidade de expandir o seu próprio mercado. Quando ele realizou sua primeira instalação, nos mandou fotos, postamos na nossa página do Facebook. Por fim, gostaríamos de citar o Otávio, que veio de Dourados, no Mato Grosso do Sul. Ele ainda só não fez todos os cursos, pois alguns coincidiam a data. Ele participou do Combo Básico, fez Envidraçamento de Sacada, Guarda-Corpo, depois voltou em outra oportunidade para fazer o de Serralheria de Alumínio.
 
Qual sua dica para quem ainda não se qualificou o suficiente ou ainda não está tendo os resultados desejados por falta de conhecimento?


A área da construção civil está sempre se modificando com tendências e novidades. Qualquer profissional desse setor deve estar sempre por dentro desse mercado, dos lançamentos e aprender novas instalações. Muitos de nossos alunos chegaram até a escola dizendo que perderam um cliente pois não sabiam fazer tal serviço. O investimento em um curso da nossa escola possui retorno logo nas primeiras instalações. Não percam a oportunidade de expandirem seus horizontes e se tornarem profissionais ainda mais qualificados.
 
Você trabalha muito com foco nos resultados em suas áreas de atuação. Qual dica daria para um vidraceiro autônomo ou que tenha sua própria vidraçaria poder obter melhor desempenho nos negócios?


Minha principal dica é trabalhar a parte comercial da empresa. Vejo muitos vidraceiros com potencial, mas faturando abaixo do ideal, apenas porque não entendem os pilares comerciais e de divulgação do negócio. 

Fonte: Revista Vidro Impresso

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